quarta-feira, 8 de julho de 2015

Mundo Feedee da Vênus VI



Bom dia meus doces Feedists! 

Estou em falta com vocês, mas pra compensar esse mês teremos duas matérias no blog. 

Para o mundo Feedee da Vênus, o meu mundão particular "de meu Deus", quero contar uma experiência que passei esses dias muito inesperada. 

Bom, nem tanto inesperada por um lado, mas as circunstâncias foram um pouco. 

Estava a gorda aqui caminhando apressada ao banheiro de um shopping já pelo corredor de acesso, e, esparrei numa senhora, também apressada que me pediu desculpas - "Perdão minha filha, é que to desesperada pra fazer xixi". 

Eu sorri e disse que estava tudo bem. Entrei, fiz o que tinha que fazer e sai pra lavar as mãos e arrumar os cabelos, e derivados. Quando ela vem ao meu encontro toda saltitante e sorridente, falando enquanto lavava as mãos também: - Garota, eu tomo uns diuréticos que quando dá vontade de ir ao banheiro, tenho que ir correndo. 

E nisso eu lembrei que também tomo diuréticos e disse: - Ah! Eu também tomo, mas o meu não me dá essa vontade incontrolável de fazer xixi não. O que é chato é que devido esse remédio, eu to eliminando potássio e isso me dá cãibras as vezes. - Falei despretensiosa enquanto penteava os cabelos olhando pro espelho, e a vi se voltar pra mim e falar gesticulando: - Nossa, então você tem que fazer assim, deixa eu te orientar: Você tem que comer pelo menos duas bananas por dia e água de coco. Você é hipertensa, então tem que ir num endocrinologia e num nutricionista pra eles passarem remédios, mas esqueça dietas. Você tem que fazer uma reeducação alimentar. Você já tá diabética? Eu to falando isso, porque você é forte, né...

Ela disparou a falar olhando pra mim, e quando ela me chamou de forte, gesticulando com os punhos cerrados como se quisesse imitar uma pessoa forte, eu ri por dentro. Parei de fazer o que estava fazendo , me virei pra ela e fiquei admirando sua desenvoltura em adivinhar meus problemas de saúde apenas por eu  ter dito que tomo um diurético. Ela fez toda uma associação de doenças, pelo simples fato de eu "ser forte". E deixei ela falar. Alias, eu tentava interromper pra falar que não era hipertensa, mas ela se empolgou em salvar uma gorda das comorbidades e disparou a metralhadora. 

- Então você me desculpa tá falando isso, não to te chamando de gorda, mas você é forte, né! E com a hipertensão e mais a diabete, você tem que procurar um endocrino e reeducar sua alimentação. Olha pra mim, eu era imensa, tinha cem quilos - ... nessa hora eu pensei: " essa mulher tá me zoando! Se ela se considerava imensa com cem quilos, eu com bem mais, ela me considera "só fortinha"?" Mas aquela altura deixei ela discursar enquanto eu só ria por dentro, pensando de onde ela tirou essa diabete? E a senhora continuou:

- Fiz uma reeducação e hoje eu como igual bebê, de três em três horas, quantidades poucas. Você não vai passar fome! Eu como de tudo, mas pouco. Olha, você tem que ir fazer exames de hormônios, ver sua tireoide, glicose... - Nisso eu falei - Mas eu já fiz todos esses exames ai, não sou diabética nem tenho nada. O anti hipertensivo que tomo não é pra pressão alta.

Mas a senhora não desistiu de bancar a boa samaritana e me converter e continuou.

- Mas mesmo assim, como você é fortinha, é bom pra sua saúde, você fazer uma reeducação alimentar. Ver seus hormônios com um endocrino. Ele vai te encaminhar pra um nutrólogo e você vai ver como vai emagrecer. Basta ter força de vontade. Eu emagreci sem exercício, só corrigindo a alimentação, você come errado - Nisso eu já estava me casando aquele papo, mas ela estava sendo tão gentil que deixei, até ela disparar.  - Olha, vai ali na livraria do shopping mesmo e procura um livro que vai ser muito maravilhoso pra você estudar e se orientar. Ele fala de tudo que se passa com a gente. Tudo que eu tenho está lá - 

 E eu pensei na mesma hora, qual livro será; manual completo do Feederism? E ela completou - A BÍBLIA DA MENOPAUSA  - 

Putz! Aí já era demais, aquela coroa tava me tirando! De onde a louca tirou que eu to na menopausa e um livro desse me será útil? 

Respirei! 

Estava achando tudo maravilhoso ser vista como obesa, que ela achasse que por isso sou hipertensa e diabética, mas na menopausa? Me tirando de velha, e eu lá tenho cara de menopausa?! Então falei calmamente em tom emotivo, pegando nas mãos dela: 

- Nossa! Acho que esbarramos com as pessoas por obra de Deus mesmo. Não sei como agradecer a senhora por tantas orientações maravilhosas. A senhora parece a voz de Deus falando comigo, e falou tudo que preciso saber. - Ela sorria encabula, dizendo: "que nada minha filha". E eu continuei - Uma das coisas que vou levar pra sempre desse banheiro é o seu conselho de comer de três em três horas. Pode deixar que comerei muito bem a cada três horas sem falha. E tenho que ir agora na livraria procurar esse livro sobre menopausa. Tenho certeza que vai me servir muito. Obrigada viu, me dá um abraço? - Ela toda emocionada me abraçou e eu sorri sarcasticamente, praticamente me sentindo a Úrsula (a polvo obesa e cínica, vilã da Pequena Sereia). Ah vá! Menopausa é a fruta que se partiu!! E eu não sou "fortinha" (odeio esses eufemismos), sou gorda, obesa, imensa, enorme, uma bola de praia, uma jubarte em crescimento, ora bolas! 

Sai daquele banheiro ainda tentando entender a questão da menopausa, mas de uma mulher daquele quilate de doidice, se pode esperar qualquer disparate. E depois que a chateação da menopausa passou, eu refleti como as pessoas só de ver um gordo, já ligam logo a doenças. Porque ela me deu diabete e problemas hormonais sem eu sequer dar qualquer indicativo. Só porque eu sou gorda, tenho que ter essas doenças? 

A obesidade (até certo ponto) não é sinônimo de doenças, como magreza também não é de saúde. Há um olhar de piedade aos gordos: "nossa tadinho, deve tá todo ferrado com doenças, nem deve ter mais sangue correndo nas veias e sim nutella". 

A probabilidade é sim grande dependendo da sua alimentação, mas não é uma certeza. O que nos conduz a doenças do tipo são dois fatores; genética e alimentação pobre e rica em elementos nocivos. O sedentarismo também é um fator de grande peso, principalmente associada a uma alimentação (como a doida do banheiro disse), errada. Mas o problema como podemos ver então, não está na obesidade em si, mas como nos engordamos. 

Se eu não fosse uma feedee, ou se eu fosse uma feedee sem qualquer consciência já trabalhada do que eu mesma sou, possivelmente eu sairia daquele banheiro em grandes conflitos e arrasada. A mulher me chamou de gorda pelo menos umas três vezes, disse que eu estava doente por ser gorda, disse que eu tinha que emagrecer pela minha saúde e ainda argumentou sobre. A maioria das mulheres, mesmo dentro do nosso mundo, não consegue ainda ouvir um "sua gorda", de forma totalmente tranquila. Muito menos ouvir isso como elogio, ou estímulo como uma cantada do tipo: " sua gostosa". As palavras que remetem a obesidade são ofensivas às mulheres, Fomos criadas as tendo como insultos, humilhações, defeitos, zoação, depreciação, e todo teor negativo. É um tabu chamar uma mulher de gorda ou dizer que ela engordou. E isso vai de homens à pessoas em geral, cheias de eufemismo; cheinha, fortinha, gordinha, fofinha, inha, inha, inha. Quem consegue ouvir de alguém assim: Nossa, como você engordou, tá enorme" - E isso ser música aos seus ouvidos, e ficar excitado com isso se achando mais sexy? 

Bom, eu sei quem; Gainers e Feedees, totalmente amadurecidos, conscientes de suas naturezas e do que afinal é seu maior prazer íntimo e estímulo ao seu ego e sua libido. 

Bjo da Vênus! (da fortinha na menopausa)  ahahahhahah

Desculpem a formatação e possíveis erros de digitação nesse texto. Estou sem meus instrumentos próprios de trabalho, num note emprestado aqui e fazendo milagre! rsrs 




terça-feira, 5 de maio de 2015

Bate Papo com Adriana

Bom dia feedists!

            Vamos abrir esse espaço pra conhecer opiniões e como é a relação de outras pessoas com o Feederism através das entrevistas.
Trouxe pra nós hoje um bate papo com a Adriana Ribeiro que faz parte do Grupo Feederism Brasil.



·        Como você conheceu o Feederism?

Assistindo o Programa da Band A Liga 

   Qual a sua primeira impressão ao entrar em contato com o meio feedist?

Será que isso é real? Será que alguém realmente sente desejo vendo outra pessoa comer?  É possível que alguém queira, gosta mesmo de engordar? Preciso saber mais sobre isso!
Essas foram as primeiras perguntas que me passaram pela cabeça quando vi a matéria.  Sempre digo que tenho uma cabeça aberta e curiosa, que prefere entender a julgar. Gosto de saber sobre as coisas, em especial aquilo que acho que não acontece na minha própria vida e quando vou atrás de conhecimento, algumas vezes descubro que aquilo que me parecia estranho é mais comum do que imaginava.

·    Depois do primeiro contato, o que mais se destacou pra você nesse meio e de que forma você passou a se identificar  no Feederism depois de um tempo?

Nessa pergunta tenho que me basear no convívio com o Grupo, a principio eu queria entender como as pessoas que viviam o fetiche pensavam e foi muito gostoso a forma como fui acolhida, como  podemos conversar sobre tudo e a conexão que a gente cria com cada história e a nossa própria história, mas o que mais me chamou atenção e me encanta é ter um espaço isento de julgamentos, onde cada um é livre pra ser, falar e gostar do que bem entender.
O feederism me levou a imaginar uma liberdade de ser Gorda sem preocupações com a opinião dos  outros, sem necessidade de encolher a barriga pra fotos, sem vergonha de comer o que e quanto quero quando estou com outra pessoa.

A   principio me identifiquei com as pessoas e aos poucos fui me enquadrando, se for para nomear, categorizar rsrsrs me encaixaria como FA e Encourage e posso ser feedee também rsrsr .
     Sente vontade de vivenciar uma experiência feedist? O que imagina ou tem como fantasia?

Sim, sim  tenho vontade de ter uma experiência, todas as conversas, discussões me fazem ainda mais interessada, mas com alguém que me fizesse realmente ter uma visão das coisas que o fetiche pode proporcionar, rsrsrs acho que o ideal seria ser conduzida.

 Como você vê o feederism hoje que é diferente do seu primeiro entendimento ao entrar em contato?

          Completamente diferente. Quando hoje eu conheço um pouco  mais sobre o  feederism e quero que alguns aspectos façam parte da minha vida, me pego observando as pessoas comendo analisando o prazer delas com isso, curiosamente percebi que estava tocando a barriga do meu marido enquanto ele comia outro dia e quando me dei conta estava sorrindo,sempre o toquei e isso é comum mas nunca tinha feito assim, enquanto ele comia e eu só olhava. Hoje eu gosto de tocar minha barriga, ainda não vejo nada de sexual nisso, mas antes nem cogitava a possibilidade de expô-la num biquíni e já o faço  e gosto rsrsrsrsr Será que é diferente agora? Acho que sim rsrs

  O que mais te encanta nesse modo de vida, e,  se você acha que o feederism contribuiu para alguma mudança íntima em você, se sim, como foi essa mudança?

Me encanta a liberdade de ser quem eu sou, me achar linda assim gorda, não me importar com quanto devo comer na frente das pessoas, nem encolher a barriga quando estou com alguém, mas me encanta ainda mais descobrir que apesar da opinião dos outros uma minoria (ainda uma minoria), defende suas preferencias.

Vejo que o Feederism me trouxe significativas mudanças internas. E embora eu não tenha nenhuma experiência física/real com o feederism, conviver  no meio,  me  trouxe grandes benefícios, minha autoestima já era alta agora ela anda tranquilamente num salto 15 kkk,  ver outras mulheres orgulhosa de suas curvas é maravilhoso, mas conhecer o feederism me fez pensar sobre tantas coisas que antes eu rejeitava em mim mesma e até nos outros. Acompanho diariamente gordinhas falando sobre preconceito, rejeição , sem perceber os olhares de quem as cerca.

Mas isso não me é estranho em absoluto, durante muito tempo eu fui uma delas, e não me dava conta de que o olhar de algumas pessoas podia não ser de repreensão, mas de admiração, hoje fico mais atenta a esses olhares e eu mesma passei a olhar diferente, sempre adorei ver gente comendo feliz e agora observo com atenção e gosto ainda mais.

Hoje eu falo sobre o feederism com alguns amigos e não os vejo chocados com o que falo, pelo contrário, curiosos, interessados, e isso se deve as mudanças que aconteceram em mim, à forma como vejo e como transmito não é como algo estranho, mas como algo que me agrada, que me ajudou num processo de amadurecimento de aceitação não só de mim, mas das minhas preferencias.

·        O que você vê de positivo e negativo no Feederism?

Positivo: Eu acredito que o feederism como qualquer fetiche possibilita que as pessoas exprimam seus desejos, vontades de forma que não o fazem normalmente no dia-a-dia.
Como Estilo de vida acho positivo  a cumplicidade  do casal que vive o feederism, a auto realização de quem pratica sozinho, a organização no ganho de peso é super positiva.

Negativo: Vejo como negativo o descontrole com a saúde, quando o fetiche sobressai à razão, vejo essa questão como único ponto realmente preocupante.

·        Você consegue imaginar como estará o feederism daqui há uns anos se mais e mais pessoas tomar conhecimento desse modo de vida? Acha que o Feederism tem a ganhar ou perder com uma maior abrangência nos meios de comunicação futuramente?

Embora todos os meios de comunicação hoje preguem uma onda fitness e saudável, vejo que muito mais pessoas assumem suas preferencias no dia-a-dia observo mais atentamente as pessoas gordinhas hoje por onde caminho e ainda que elas desconheçam o feederism como estilo de vida ou fetiche, vivem isso no dia-a-dia mais do que imaginam.

Eu acredito que em alguns anos sim muito mais pessoas se reconhecerão no feederism, muito mais como estilo de vida propriamente dito do que como só um fetiche.
Não creio que o Feederism tem a perde com maior abrangência nos meios de comunicação, pelo contrário acho que será bem positivo, que as pessoas se sintam realizadas em viver aquilo que amam sem necessidade de que seja oculto.

Mas não será fácil chegar a esse ponto, ainda há preconceito demais para que as pessoas consigam se livrar dos paradigmas que a sociedade impõe, e qualquer mudança necessita de tempo muito tempo pra se concretizar, infelizmente.


Obrigada pela sua participação Adriana. Espero que esse novo mundo que descobriu seja sempre positivo em sua vida e te traga novos sabores a serem experimentados!


quinta-feira, 16 de abril de 2015

O Diário de Jaque - A feira



Estava pensando em você hoje logo após chegar da feira com minha mãe.

Pensei o quanto queria que você estivesse ali no lugar dela. Só pra que eu tivesse a liberdade de comer quantos pasteis eu quisesse sem ser repreendida e ridicularizada.

Pensei que se eu pudesse ter você ao meu lado naquela barraca de pastel eu me sentiria aceita como eu sou e nas coisas como eu gosto de fazer. 

Seria compreendida em meu desejo de comer o quanto eu aguentar por amar o sabor dos alimentos e gostar de prolongar esse sabor o máximo possível.

Pensei que se você estivesse naquele momento junto a mim, eu poderia compartilhar minha ansiedade, olhando a comida sendo preparada pra mim e da minha alegria quando ela chega em minhas mãos e do bem estar que sinto ao leva-la a boca e sentir seu gosto.

Mas ao contrário disso, eu preciso sufocar essa alegria de comer livre o quanto eu quiser até me sentir saciada. Porque vejo os olhares me reparando, me recriminando por comer sempre mais que a maioria como se eu tivesse fazendo algo ruim a eles.

Minha mãe disse: “ que coisa mais feia” – Senti a voz dela de contrariedade e desapontamento, com uma expressão fechada e testa franzida, como se eu tivesse feito algo muito errado ao pedir o terceiro pastel pra comer porque estava muito gostoso e não queria parar de sentir aquele sabor delicioso. Mas mesmo ficando chateada por ela ter feito isso, não neguei quando ela pediu o terceiro pastel aborrecidamente. Quando ela me passou o salgado, praticamente  empurrando pras minhas mãos, disse: “ quer comer até explodir? Então come! Já está gorda e vai ficar mais feia ainda”.

Mesmo assim eu comi! Mas o sabor não foi mais o mesmo. Estava azedo e entalava quando eu engolia. Era o sabor da culpa eu acho. Senti que me encolhi pra comer, enquanto sentia que todos naquela feira me olhavam, reparando em mim e horrorizados, me recriminavam. Minha mãe me fez comer o pior pastel da minha vida.

E quando chegamos em casa, ela me disse: “ sabe que não vai almoçar, não é? Ninguém mandou encher a barriga de pastel! Sabe que quando for namorar, ninguém vai te querer, sua gorda!” 

Olhei pra ela com os olhos baixos, sentindo uma dor no peito e não falei nada. Fui pra cozinha ajeitar as frutas e legumes que compramos, e fui cortar as verduras para o almoço me sentindo humilhada. Mas antes de terminar minhas tarefas, comi duas bananas e joguei as cascas pro quintal do vizinho pra ela não ver. Pensei que ela não deveria humilhar assim uma filha e que não tinha o direito de me proibir de almoçar, só porque comi mais do que devia na feira. Mas ela é minha mãe, e eu só tenho quatorze anos! Ah...tá bom , vai! Treze! Mas faltam só sete meses pra eu completar os quatorze.
Sabe, eu só queria comer em paz e não me sentir culpada por estar fazendo algo de errado. Sem que alguém me olhe com reprovação e desapontamento dizendo que ficarei feia, serei desprezada.

Você me desprezaria? Me amaria mesmo se eu engordasse por gostar de comer muito? Me acharia feia? Penso que não quero viver sozinha sem namorado. Quero o que todas as meninas querem; arrumar um gatinho pra nos levar ao cinema, ao shopping, pra passear de mãos dadas e que me ache bonita e me valorize, que goste de mim.

Mas você é o menino dos meus sonhos! E sim! Me amaria!  Ainda que eu engordasse um pouco me amaria. Ainda que eu fosse comilona, você teria alegria de me ver tendo alegria com uma das minhas maiores felicidades que é comer um bom prato, uma guloseima. Comer sem sentir qualquer gosto azedo de culpa e só o sabor doce da liberdade e prazer.

Porém penso que se eu for livre, eu engordaria muito e perderia a forma que todos querem de mim. E mesmo assim, será que você ainda ia me querer? Sentiria vergonha de mim? Me apresentaria a seus pais e amigos?

Mas você é o garoto dos meus sonhos! E sim! Você iria continuar querendo minha presença, meu corpo e sentiria orgulho de me apresentar a todos a sua volta. Teria prazer em ver meu corpo crescendo por eu estar tendo tantas alegrias de comer bem e com gosto de satisfação. Você teria prazer com o meu prazer. Minha alegria seria a sua alegria.

Na verdade, você é o rapaz dos meus sonhos! E me traria coisas deliciosas todas as vezes que fosse vir pra me buscar pra sairmos juntos. Se interessaria em saber tudo o que eu mais amo no mundo todo e me serviria de tudo isso, pelo simples prazer de me ver comer contente e sorrindo. Você não me culpa ou me censura por comer além da conta, porque você me conhece e sabe de todas as coisas que me faz feliz. Só você tem a chave pra me libertar. Eu poderia ser livre com você!

Penso em você cozinhando pra mim, me dando comida entre carinhos e beijos, compartilhando de todo o prazer que esses momentos poderia me dar.

Sabe, tem dias como hoje que eu sonho muito com você. E queria ter a capacidade de te criar e trazer você pro mundo real. Mas sei que você não existe. E não posso me enganar. Sei que minha mãe está certa. Minhas amigas da escola estão certas. Ninguém quer uma gorda. Os meninos teriam vergonha de mim. Ninguém ia querer ir comigo ao cinema, nem a praça pra não ser visto com a gorda da escola pelos amigos e ser encarnado. Mas sabe, também penso; por que as coisas tem que ser assim? Por que temos que viver limitados por escolhas que nem fomos nós quem as fizemos?

Penso que só você é capaz de me entender e me completar. E por isso você é o gatinho dos meus sonhos, onde tudo é perfeito. Onde existe alma gêmea, onde existe amor além das aparências que todos exigem, onde há liberdade de querer e gostar do que é diferente dos outros sem que ninguém te censure por isso, nem te humilhe ou diminua.

Hoje quando eu for dormir, vou pedir aos anjos pra sonhar com você e espero te encontrar nos meus sonhos!


Jaque Marques - 04/03/1991

Olá meus doces feedists! Jaque Marques é um personagem criado por mim, inspirada num outro personagem Renata Marques, que é protagonista de um livro que trabalho há algum tempo, mas que ainda não tive a inspiração pra termina-lo. A Jaque é a versão adolescente e junevil da Renata Marques que no livro já se apresenta madura com 34 anos. 

Se forem repassar, por favor, informem a fonte! Espero que gostem!

bjo da Vênus!